Médicas de SP inovam ao aderir ao jaleco fashion






As dermatologistas Marcella Delcourt e Marjorie Melo se cansaram de olhar torto para o jaleco sem graça de todo dia e decidiram personalizar a peça, que é indispensável em consultórios e hospitais. Para isso, elas trocaram o tradicional modelo unissex por um jaleco confeccionado sob medida e desenhado especialmente para elas por um badalado casal de estilistas de São Paulo. 




“A gente queria uma peça mais acinturada e mais feminina também”, conta Marcella, que acabou ganhando uma peça exclusiva e sofisticada. “Eu já tinha visto alguns lugares que vendiam jalecos diferentes, mas nenhum se destacava pela beleza”, acrescenta Marjorie. 


O jaleco feito sob medida para as dermatologistas se diferencia pelo formato e quantidade de bolsos e pela faixa na cintura. “Quando nós fomos ver o desfile de nova coleção da estilista, tinha algumas peças muito parecidas com o jaleco. Ele era um piloto”, conta Marcella. 


A ginecologista Rosa Neme, também de São Paulo, não teve a ajuda de uma estilista para mudar a cara do jaleco, mas passou a personalizar o modelo por conta própria. A médica relembra que começou trocando uma gola aqui, mexendo nos botões ali, até que chegou a um modelo bem feminino. 


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A ginecologista Rosa Neme personaliza o próprio jaleco (Foto: Divulgação)

“Não dá nem para comparar. Ao vestir um modelo bonito, bem desenhado, eu sinto que estou vestindo uma roupa e não um saco de batatas”, brinca a ginecologista, que gosta de se vestir bem no dia-a-dia e leva o hábito para dentro do consultório. “Um jaleco ajustado ao corpo fica bonito, e a pessoa se sente bem, elegante e confortável”, descreve.  

A preocupação das médicas com a aparência do jaleco é porque a peça é indispensável durante o atendimento. “A gente lida com secreções e produtos e precisa se proteger”, afirma a ginecologista Rosa. 

Preço
Assim como o modelo varia, o preço de um jaleco personalizado não tem limite. O modelo desenhado e confeccionado com exclusividade no ateliê de uma estilista para as dermatologistas Marcella e Marjorie saiu quase dez vezes mais caro que um modelo comum. 


A ginecologista Rosa dá a dica para quem quer inovar no consultório: um jaleco “quadradão”, como ela batizou o mais sem graça de todos, custa cerca de R$ 50. Mexer na gola, no comprimento ou nos botões pode sair por uns R$ 25 a R$ 50 a mais. “Personalizar não é tão caro, mas o preço vai depender do tecido também”, diz a ginecologista. 



Algodão e microfibra são alguns dos tecidos mais comuns, mas há também modelos em satin, que tem um aspecto brilhante e textura bem lisa. 


Mudança de comportamento
A empresária Andréa Fischer trabalha com jalecos e aventais na Medical Fashion há quase oito anos e observa que a procura por modelos personalizados e sofisticados vem crescendo “há mais ou menos um ano ou dois”. 


Formada em moda e responsável pelo departamento de criação da grife médica, ela conta que os homens costumam procurar por modelos mais sociais em que os botões fiquem escondidos. “Eles usam por cima do terno, e só uma parte da gravata fica aparecendo”, diz. Já as mulheres prestam mais atenção aos detalhes, como gola e bolsos. 



Mas não são apenas os médicos que procuram vestir um jaleco diferenciado. Andrea conta que nutricionistas e dentistas já pediram peças em cores que vão além do branco, bege ou algum tom pastel. “Já fiz avental laranja, pink, azul-royal e até preto”, conta. 

  
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Conjunto de calça e camisa conhecido como scrubs deu nome a seriado de TV paga. Na foto, os personagens Donald e Zach (Foto: Divulgação)

Jaleco não, scrubs
Mas a aversão do dermatologista e cirurgião capilar Arthur Tykocinski não é por causa do modelo ou da cor, mas por causa da “caretice” do jaleco comum. O médico acredita que, se os seu pacientes - a maioria homens bem-sucedidos - se rebelam contra o paletó e a gravata, nada melhor que abolir o jaleco nas consultas do dia-a-dia para “se aproximar do paciente”. 


No lugar do jaleco, o cirurgião adotou o scrubs, um tipo de uniforme hospitalar formado por calça e camisa de manga curta. “O scrubs é muito usado por médicos e enfermeiras nos Estados Unidos. É uma roupa simples e muito confortável”, detalha. A vestimenta virou até nome da série médica e cômica, “Scrubs”, que é exibida na TV a cabo. 



Faz pouco mais de um ano que Tykocinski adotou a vestimenta em sua clínica, e o jaleco foi esquecido no fundo do armário. “No começo, eu me sentia meio estranho por atender aos pacientes sem o jaleco. Acho que era porque eu estava acostumado a trabalhar com calor e sufocado por causa da camisa, da gravata e do jaleco”, relembra. 



Apesar de ser confortável, o scrubs tem uma desvantagem: não adianta enjoar dele porque não tem como mudar o modelo. O conjunto deve ser o mais simples possível, inclusive, para ser jogado fora sem dó, caso fique velho, se rasgue ou sofra qualquer outro dano. 



Mas há pelo menos uma vantagem: dá para fugir do branco e do bege porque os scrubs costumam ser de cores fortes, como azul, verde e até rosa.
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